Poemas perdidos;

Contracapa.

Pergunto sempre “alguém me ligou?”, olhando a correspondência,

Cartas vazias, nunca minhas.

Reviro meus olhos, de parede até parede, estico-me para a rua,

No portão quem chama não é tu, só o mundo, mas pode esperar.

Não ligas, não manda cartas, não apareces, assim passam dias, semanas ao longe,

Mas quando voltas e ri, choro sem mostrar-te, morro sem que percebas,

E semanas que passaram viram segundos.

Como se andasse na chuva, choves em mim,

Então tudo bem que não ligues, que não escreva, que não  apareça,

Contudo que ria e me faça rir, que me ame e me faça amá-la,

Para assim continuarmos, sendo como somos.

***

Folha solta.

Vive-se, com ou sem, respiro, devagar.

Dói, com ou sem, ando, acalmo.

Mantenho-me em pé, sorrio, falo,

E será ainda assim, mesmo que vás,

Porém mais perto do chão, mais triste, mais calado.

***

Canto de página.

Hoje fiz meu cigarro para passar o tempo.

Fumei, me engasguei, tossi e quase vomitei.

Pra tu ver as besteiras que faço pra não pensar tanto em ti.

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2 Comments on “Poemas perdidos;”

  1. freudentenderia Says:

    tu tinha que escrever um livro que se chamasse amores cardíacos.

  2. Leonardo Says:

    amores? mas é um só :_:


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