suddenly

As pessoas dizem querer voltar para trás para não cometerem um erro, fazerem as coisas direito, se livrar dos problemas e tal. Eu queria voltar um ano e pouco no tempo, não pra não cometer os erros que eu cometi, muito menos para evitar que ela cometesse os erros dela. Eu queria simplesmente voltar, pra simplesmente viver tudo de novo.

Seria muito fácil refazer tudo corretamente, ser perfeito, evitar todas as falhas nesses quase dois anos que a gente se conhece, mas as coisas não teriam o mesmo gosto, talvez a gente nem tivesse chegado aqui juntos. Certas vezes a perfeição cansa. Errar é grande parte de uma coisa, mais de metade das chances são de errar quando se fala em romance, mas se as chances corressem apenas para o rumo do acerto, eu imagino uma felicidade apática sobre tudo.

Só reclamamos do que não temos. Nunca vi ninguém reclamando do que tinha de bom.

-Que saco, eu ganhei esse livro que queria muito.

Eu queria poder ouvir o primeiro “eu te amo” outra vez. Outra vez sentir quando ela pegou na minha mão, quando ela me olhou e riu, quando ela beijou meu rosto. Queria sentir de novo o perfume dela quando me derrubou no chão. Lembrar da cara de espanto dela quando me viu pela primeira vez.

Queria também sentir a raiva do primeiro encontro que ela furou. Queria sentir de novo a insegurança de quando ela disse “acabou”, a dor quando ela disse que não mais queria me ver. Queria lembrar de tudo o que ela já disse de mau para mim, só pra esquecer tudo de novo na outra frase da boca dela, na outra imagem de nós dois.

Sofrer é a passagem obrigatória para a felicidade. As coisas, para melhorarem, precisam piorar mais um pouco. Não haveria melhor se não pudesse haver pior. A melhor parte do se afastar é o se aproximar de novo. Quando as coisas melhoram tudo tem um gosto diferente. Os ciclos terminam para outros começarem. Outros ciclos com outros sabores, outros sentimentos.

Quarta feira tava chovendo. Quando eu voltei da escola já tava escuro, o que fez o asfalto molhado refletir as lâmpadas amarelas da rua. Era uma luz dourada vindo de baixo, quebrando o nada que se via nos cantos, nas esquinas. Pensei nela. Pensei em como eu sinto a falta dela de bem comigo, mesmo sem falar nada. Sinto falta de saber que ela ta sentindo falta de mim, que ela, como eu, ela se pega sozinha, pensando em tudo o que já foi e no que pode ser daqui pra frente, pensando em mim, no meu jeito de fazer as coisas erradas.

Nesse mesmo dia, quando cheguei em casa, parei por um segundo, desliguei as luzes do quarto e sentei na cama. Lembrei de nunca mais ter reparado nos segundos antes do beijo, onde aqueles olhos castanhos e verdes se fecham, quando a mão dela repousa no meu rosto e o meu coração simplesmente pára, pra voltar a bater quando ela olha pra mim e ri, com quele sorriso torto que eu amo tanto.

Nunca quis machucá-la. Se o fiz, foi um erro de quem sempre tentou dar o melhor de si.

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6 Comments on “suddenly”

  1. Renato Says:

    sabe, isso de refletir sobre “o que seria do azul, se não fosse o amarelo”, faz as pessoas pensarem em aproveitar muito melhor todos os momentos que vivem.
    dos felizes, aos terríveis.

    me fez lembrar disso.

    vou pegar os cotonetes, já volto…

  2. Thais Machado Says:

    agora preciso digerir o que acabei de ler.

  3. mah Says:

    onde fabricam mais de ti? (sem brete, ok)

  4. Naty Says:

    Passar pelo sofrimento é a prova para ser merecedor de sua felicidade.

  5. Leonardo Says:

    Frase de sorte do dia do Orkut.

  6. Thais Machado Says:

    atualiza? [ah]


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