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Acordei cedo, mas demorei a levantar. Fazia frio, mas nada tão escandaloso assim. Fiquei uma meia hora na cama, enrolado no meu cobertor, o que me fez ficar atrasado para a escola.
Corri, vesti as calças e um monte de camisetas, uma por cima da outra. Olhei para a rua, ventava, ainda venta, até, então decidi por um casaco. Coloquei o meu azul, ele parece um paletó, não me deixa movimentar os braços plenamente, mas é quente e tem gola, que junto com o cachecol salvaram meu pescoço do frio.
Cheguei na hora na escola. A guria que carimba as agendas falou alguma coisa, eu não prestei atenção, assenti com a cabeça e ri. Ela sempre fala alguma coisa, eu nunca entendo. Subi então os dois lances de escada, minha sala é no final do segundo andar. Notei uns avisos na parede, não dei muita atenção e talvez nem os notaria se não fossem as cores berrantes. Entrei então na sala, sentei no meu lugar, a janela estava aberta, fechei, tava com frio.
Fiz a prova de português. Recuperação, eu não sei com quanto fiquei, mas, com certeza, se precisasse de mais que dois pontos, não conseguiria. Recebi a prova de matemática, tirei cinco. Confesso que foi uma nota bem abaixo da que eu esperava, fiquei surpreso e decepcionado comigo mesmo. Depois teve a prova de inglês, que eu não sabia da existência também, acho que fui bem.
No recreio uma menina veio falar comigo. Recebi uma cartinha amorosa de uma menina da oitava série. Na hora eu nem li, dei para a minha amiga ler. Ela deu tanta risada que eu li também e ri, também. Hoje uma amiga dela queria saber o que eu tinha achado. Eu disse não, com uma mescla de vergonha e vontade de rir na cara dela. Tinham muitos pontos de exclamação, definitivamente era uma pessoa muito efusiva. Não gosto muito de gente efusiva.
Nunca recebi uma carta séria. Recebi duas bobas, de meninas. Uma fora antes de eu namorar. Ela mandou uma cartinha, mas nada formal, sabe, um papel dobrado com algo escrito. Eu achei tocante, mas era a Natália, ela era do segundo ano na época, eu do primeiro. Não aconteceu nada, era a Natália. Somos amigos até hoje, eu acho. Até um tempo atrás eu ainda tinha a cartinha guardada em algum lugar. A outra carta foi essa menina, dizia que eu era bonito, que ela me amava e não podia mais esconder esse amor. Tá. Pelo menos ela me acha bonito. Puta mau gosto.
Adoraria receber cartas. Acho um charme, acho romântico e legal. Comecei a ter essa queda por cartas quando li um livro, Os Intocáveis, ele se baseia em parte, em cartas que Querè envia para um amigo. É um livro apaixonante. Voltando ao assunto, envio cartas para ela. Não sei quantas, mas já enviei algumas. Acho que ela gosta disso. Eu gostaria.
As aulas acabaram, a semana escolar também. Voltei pra casa, tava ventando mais do que de manhã. Caminhei devagar, passo a passo. No caminho, diminuí o passo. O ônibus que ela pega tava passando. Lembrei de quando ela saltou do ônibus e me abraçou. Esperei, no meu passo lento, pra ver se ela desceria. Não, ela não estava nele. Assenti com um sorriso de canto, senti muita falta dela, saudade lascinante. Fui pra casa, pra cama, pra encerrar o meu dia antes da uma hora da tarde.
Maio 30, 2008 at 9:01 pm
eu amo cartas, recebi umas várias mas enviei poucas. e escrevi mais outras que nunca tive coragem pra enviar.
será que somos muito antiquados?
adorei o texto!
beijos
Maio 31, 2008 at 11:51 pm
Acho que carta é charmoso.
Adoro receber e enviar.
E espero que não seja antiquado =)
=*
Junho 1, 2008 at 7:34 pm
merda! fui a visita 1001 ¬¬’
por pouco!
¬¬’