Minissaia

Posted Junho 24, 2009 by Leonardo
Categories: nota mental

Sete horas da manhã, de segunda à sexta, o despertador te acorda com a sutilidade de um tapa no pé do ouvido. A cama é tão atraente, como uma daquelas menininhas do tempo de escola. Loucas para descobrir as utilidades do que possuem entre as coxas, procuravam nos garotos mais velhos o que os de sua idade, tu inclusive, se esforçavam ao máximo para fingir ter. Tu resistes, tu queres ficar na cama, entre os cachos da loirinha que sentava no fundo da sala, mas a tua orelha ainda arde por causa do tapa, e a menina desliza para longe de ti na cama, na imensidão dos lençóis, e some sob o teu braço.

A desgraça da vida é não ter o que quer. A loirinha que tu sempre quis desde os catorze anos de idade não esta na tua cama, e, se estivesse, provavelmente não teria mais catorze, e seria talvez gorda demais, talvez magra demais, mas o mais importante, não teria mais catorze anos.

Acorda, trabalha, dorme. Essa é a rotina do povo. Ignorante é aquele que não dá atenção pro que se faz enquanto se faz isso. Quem acorda, acorda numa cama e acorda com alguém (se não acorda com alguém, acorda chamando sua mão por um nome familiar). A vida é feita de detalhes, a diferença de pessoa para pessoa é obtida nos detalhes, e a graça da vida existe nos detalhes do detalhes dos detalhes.

Sete e meia e o ônibus chega carregando cinqüenta pessoas como tu. Uns mais bonitos, uns mais feios, mas todos acordaram, todos foram ao banheiro, e todos têm seus segredos. No ônibus sempre tem aquela guria mais encorpada, que faz teus olhos adorarem poder enxergar. Aquela boca que ainda deve ter gosto de pasta de dente fica entreaberta. Os óculos escuros, mesmo o dia estando nublado, te impossibilitam de ver se ela está olhando pra ti. Esse é o risco. Se tu olhas, ela pode ver, e se tu não olhas, perde a chance e o decote. Tu olhas, e é o paraíso. Aqueles seios fartos, aquele pescoço nu, e o cabelo, ai o cabelo! Ele cai pelo colo, pedindo que teus dedos os façam ir para trás da orelha, deixando aquele pedaço de céu nu, para que a tua boca sinta cada centímetro daquela pele bronzeada. Ela vira a cabeça pra ti. Faz uma cara de quem foi comida e não gosto, e, num movimento bruto, põe a mochila na frente do decote e olha pra janela. Acabou a brincadeira.

O homem não sofre remorso por olhar. O homem não sente remorso por desejar, afinal, ninguém pode saber que ele deseja se não for ele mesmo, a não ser que o pinta sofra do maior grau de azar existente e fale durante o sono tudo o que ele não quer falar enquanto está acordado. O homem olha e deseja um belo par de coxas, assim como a mulher olha e deseja um belo par de coxas. Ambos são iguais, a diferença é que o homem assume, e a mulher mente que acha um belo par de personalidade muito mais atraente.

Desejar não é problema, desde que se deseje mais o que ta em casa. Por isso, antes de querer jogar bola na grama do vizinho, rega e apara a tua. Isso vale pras mulheres. Antes de ficar babando as vitrines, querendo comprar sapatos novos, usa os que tu tem em casa. Se tu usares o teu velho par, ele pega a forma do teu pé, como o homem que conhece teu corpo, o homem que te é confortável, que não tem problema em ser pisado (pisem que nós gostamos!), que não te machuca, que te deixa tranqüila e segura. Agora, mais amargo que um sapato deixado na sapateira é o homem que não é desejado pela patroa. Ele não quer mais servir, ele machuca. O homem é mais sentimental que a mulher, só que ele guarda para si porque sabe que a mulher não consegue lidar com discussões como eles. Mulheres não sabem que o melhor movimento é ligar o automático, pra chegar ao sexo de reconciliação o mais rápido possível.

A viagem de ônibus termina, e, no tempo suficiente para ir até Foz do Iguaçu, tu descobres que mal saiu da zona norte. No escritório, quem te espera é a patroa velha, com trinta anos de casado, que ainda não conseguiu aceitar que um homem é um homem, não um cocker. O homem não aprende a mijar no jornal, e isso se aplica em todos os sentidos que alguém que já teve um cachorro e um homem pode imaginar. A patroa velha enche teu saco pra trocar uma lâmpada, pra arrumar a calha, e ainda fica braba se tu olhar pra filha da amiga que se descobriu de minissaia. Assim é o chefe, igual tua patroa, com um bigode na cara e mais pêlos que tu. Ele bufa no teu cangote, achando que agrada, mas os calafrios são de medo, não de excitação.

Quando o dia passa, a ansiedade de chegar a casa torna-se insuportável. Quando o momento chega, e tu joga teu casaco em cima da cadeira, a imagem da morena que foi na tua sala abrir uma conta hoje se forma. Ela te olha, apertando os lábios pequenos, desabotoando a blusa, e deixando o decote à mostra. Aquele gosto vem na tua boca, aquecendo teu corpo como um bom gole de whisky. É o beijo dela, e as unhas arranham tuas costas. Tu se deita, e as pernas dela surgem entre os lençóis, entrelaçando-se nas tuas. A vida faz sentido, pelo menos ali naquela hora.

If I have to go

Posted Junho 18, 2009 by Leonardo
Categories: Uncategorized

O caminho é longo e frio. Os passos são sempre abafados pela música, não importa quantos sejam, as melodias ecoam por todo o lugar, maiores que os carros, maiores que o frio, maiores que as vidas pelas quais se passa, só perdendo para o vermelho no céu.
Cerração torna tudo mais difícil, como se, a cada segundo, uma parede se formasse um metro à frente. Tudo é difícil, tudo requer trabalho, tudo precisa de força de vontade, tudo precisa de força porque nada é de graça.
É reconfortante pensar que uma hora vai vir a recompensa. Essa esperança cuida das feridas, até das mais profundas, que doem mais por causa do frio. Isso é certo. Ainda vai doer muito. Machucados doem muito antes de curarem, e alguns viram cicatrizes, para que não caia no esquecimento a parte ruim da luta, para não se possa olhar para si e pensar que, no final, é possível sair ileso de tudo, porque não é.
Faz parte sofrer, faz parte sorrir, tanto quanto faz parte caminhar, fazendo o som dos próprios passos, mesmo que ninguém os escute, mesmo que ninguém os veja. Caminha-se por si mesmo, mesmo sendo bom ouvir dos outros um parabéns por se ter ido tão longe, ainda se caminha por si, pelos desejos, pelas vontades, se caminha porque ficar parado só é bom quando, finalmente, se chega num porto seguro, e mesmo assim, não se pode ficar por muito tempo, até aportar finalmente no lugar em que só em sonhos se pensou chegar, naquele lugar que fez as feridas da viagem parecerem menos doloridas.
Ainda bem que existem as melodias pra tornarem o caminho muito mais rápido, ou só menos entediante.

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Posted Junho 17, 2009 by Leonardo
Categories: conto

A faca passava de lado a lado da bancada, e precisa, cortava pedaços iguais de carne. Os movimentos automáticos fariam tudo ficar pronto um pouco antes do esperado, mas por enquanto, cada movimento das ágeis mãos de dona Lúcia eram acompanhados por seus olhos, que precisavam da ajuda das lentes que amenizavam a miopia.

A pele enrugada fazia jus a todos os anos de vida da velha senhora. Perambulava para lá e para cá na cozinha, com uma rapidez incrível, tendo em vista a sua forma arredondada. Suspirou em um segundo que decidiu tirar de folga, enquanto a carne tostava e os outros ingredientes cozinhavam. Secou as mãos no avental florido, tirou a rede que prendia o coque de seu cabelo e o colocou novamente, como se fosse parte do ritual, então voltou a suspirar e voltou a manipular seus instrumentos.

Uma linda menina, com o aspecto muito sujo, passou correndo por detrás da mesa pesada de madeira sólida, e, com um movimento brusco, dona Lúcia agarrou a menininha, então os brilhantes e grandes olhos azulados da menina viraram-se aterrorizados para a velha senhora.

Dona Lúcia a colocou no colo, e, com um sorriso carinhoso fez a neta se acalmar.

- O que aconteceu, Maria Rita? Tu ta toda suja, guria.

- Vovó, é que eu, é que, eu, é que eu tava no pátio brincando.

Dona Lúcia pôs a menina no chão e, passando um pedaço da parte de baixo do avental na língua, limpou a sujeira que estava na bochecha da menina e com um sorriso de criança, como se estivesse fazendo parte da arte, mandou a menina voar para o quarto e trocar o vestidinho lilás, que acabara todo esfarrapado, antes que a mamãe visse aquilo. A menina não precisou de mais estímulo, e mais rápida que o vento, correu para o quarto e foi trocar a roupa.

O almoço de família daquele domingo foi como os de sempre. Dona Lúcia foi a última a sentar, e ficou alguns segundos apenas observando seus filhos e netos comerem. O mais velho, Éder, que possuía alguns bons cabelos brancos nos lados da cabeça estava dividido entre comer e brigar com os gêmeos Marcelo e Bruno, que tinham a mesma cara do pai, só que com os olhos da mãe, a Érica, que havia inventado uma bela desculpa para não aparecer.

Ela e dona Lúcia não se davam bem por um motivo óbvio. As duas queriam ser a mãe de Éder e a avó dos gêmeos. Érica era uma mulher insossa, que controlava o marido e os filhos durante seis dias na semana, salvo o domingo, onde os netos podiam, pelo menos, pegar as coxas de frango com as mãos. Éder, é claro, fazia o mesmo.

Do outro lado da mesa, Luís, o caçula, perguntava onde estavam as asinhas do frango, pois as mesmas eram dele, e ai de quem pegasse. Os gêmeos gargalhavam, pois sabiam muito bem onde haviam posto as asinhas de frango enquanto o tio estava ocupado ligando para a namorada. Luís descobriu também quando pegou o guardanapo e colocou no colo, que acabou sujo.

Renata, a filha do meio, sorria, como se conseguisse lembrar de todos os jantares em família pelos quais passaram naquela mesma mesa de madeira. Seu marido, Jorge, que tratava dona Lúcia como se fosse sua mãe, e era tratado como filho em retribuição, reclinou-se e beijou o rosto da mulher, numa demonstração de que compreendera o motivo do sorriso. A filha deles, Maria Rita, sorriu e piscou um dos grandes e azulados olhos para a vovó.

Piada idiota

Posted Abril 26, 2009 by Leonardo
Categories: sem sentido


Na noite insone, minhas costas cansaram. Levantei-me fervoroso, atrás de algo gostoso para degustar.

Pensei na geladeira e nos armários, saí pela porta do quarto no meio do escuro. Bati o pé no sofá sem saber pra que lado virar.

Desci até sentir o piso frio, abri a porta da geladeira sem hesitar, sem saber o que queria encontrar.

Iguarias que relembram meu passado, quando eu cedo me dispunha a acordar.

Só que hoje em dia eu já espero os desenhos sem dormir, para poupar o esforço de despertar.

Deprimido por ser deprimente subi as escadas. Notei a luz da rua prestes a oscilar.

Sentei-me no forro e com a rua me propus a dialogar.

Parecia um quadro, uma beleza que não se move. Nem os cães queriam ladrar.

Então ao som ritmado de batidas ouvi alguém querer se aproximar.

Na rua uma sombra parecia muito prestes à chegar.

Protegido pelo escuro e o plano mais alto, abaixei-me e fiquei à espiar.

Um homem de muletas passou com as muletas à se arrastar.

Inconsciente mostrei-lhe a língua, como uma criança à caçoar

Ele olhou então, e a luz do poste piscou, o homem viro milagre, virei assombração.

Ele correu como o vento, assustado com a aparição.

Fantasmas comendo banana com neston. Essa é nova.

Cecilia

Posted Abril 18, 2009 by Leonardo
Categories: Uncategorized

O carro me deixou na frente de um grande portão de ferro retorcido. Era final de tarde e o arrebol estendia-se pelo horizonte desenhado pelas montanhas secas, tão íntimas daquele lugar.

Um homem alto e moreno, forte o suficiente pra me derrubar, apareceu do flanco esquerdo da casa. Vestia um smoking branco, que parecia creme graças à péssima iluminação da rua. Ele abriu o portão, me esperou passar e o fechou. Dirigiu-se para a porta de entrada e, com um aceno de cabeça e um sorriso ridiculamente obrigatório me fez segui-lo.

A casa fora construída para ter um estilo marroquino. Os pórticos lembravam as mesquitas que vi nos livros da loja dentro do aeroporto de Vigo. A casa era mal iluminada, com um grande corredor que me levava diretamente para um homem de estatura baixa, com cabelos negros e pele amarela.

Me dando um abraço que sugeria intimidade, chamou sua esposa, que apertou a minha mão e me apresentou duas crianças. Uma era como o homem, a outra parecia-se mais com a mulher. Ambas pareciam felizes quando foram levadas para uma sala que, pelo que consegui olhar de relance, era bem mais iluminada e colorida que o resto da casa, pintada com um tom parecido com o da areia que a cercava.

Fui levado até uma sala do lado direito do corredor. Antes de abrir a porta, o homem olhou para mim e sorriu. Minha mão esquerda começou a tremer, como o de costume quando fico muito nervoso. Ele abriu a porta e me fez entrar ali. Era um ambiente escuro e azulado. A luz negra fazia os copos sobre uma enorme mesa de madeira brilhar. O lugar parecia uma boate, e era repleto de objetos que não pude identificar no primeiro momento. Era mobilhado como um tipo de dinner room, pois as paredes possuíam quadros e tapeçarias de uma beleza singular, e a mesa pesada de madeira e suas cadeiras tomavam boa parte da extensa sala.

O homem pôs alguns pratos de comida sobre a mesa, algumas bandejas com petiscos – Um pouco de tudo o que podes achar pelas ruas daqui – e sentou-se perto de mim. A mulher dele, que possuía lindos cabelos loiros sentou-se do outro lado.

Conversamos os três por um longo período. A noite passava e a sala parecia muito mais confortável do que antes. Me senti à vontade na presença dos dois. Em certo momento a mulher saiu para por as crianças na cama. O homem então levantou-se e retirou um baú de um dos cantos escuros do cômodo. Ela estava cheia de garrafas, e, tirando uma, pôs um pouco em uma pequena taça. Tomei o líquido alcoólico, que desceu fulminante pela minha garganta. Parecia vodca, só que mais doce. Ele me acompanhou e bebeu também. Ficamos alterados com poucas doses, apesar de estarmos ambos com o estômago cheio. Quando a mulher voltou, levantei-me e fui acompanhado até uma saleta reservada por ela. O homem chegou logo em seguida. Ficamos os dois conversando na saleta.

Quando o relógio marcou duas horas, senti que era hora de ir embora. Pedi que ele ordenasse ao motorista que me levasse até um hotel. Após ele insistir para que eu permanecesse ali, convenci-o a me deixar partir. Despedi-me de ambos. –Volte amanhã para o jantar novamente – Disse a mulher com voz melodiosa que eu não havia notado antes. Aceitei com um sorriso. Estendi a mão para a mulher, e ela me puxou em um abraço. Ele fez o mesmo. Entrei no carro prateado e após alguns minutos de viagem pela estrada calma, notei o bilhete no bolso do meu casaco.

Hotel Tres Luces, quarto 216 12:00

Cecilia

Telefone

Posted Abril 17, 2009 by Leonardo
Categories: shortcuts to be with you.

A madrugada é fria como sempre. No céu as estrelas que só aparecem enquanto dormimos. Uma beleza que prende teu fôlego, que te faz não querer piscar pra não perder nenhuma luz, não importa o quão pequena seja.

Desci as escadas, olhei pro céu uma última vez e desejei que ele estivesse ali no outro dia só pra mim de novo. Entrei pela porta da cozinha, chaveei sob a luz da geladeira entreaberta. Peguei um copo de suco gelado e reclamei de alguma coisa que nem eu mesmo sei explicar.

A cama parecia boa o suficiente. Me joguei por baixo do lençol e puxei um cobertor, mesmo sabendo que o tempo pela manhã estaria infernal, como é o normal do outono aqui. Frio pela noite, calor pela manhã. Acho que foi por isso que acabei por trocar o dia pela noite. O sol apareceria em algumas horas. Fechei os olhos e acordei.

Dez da manhã e minhas costas doíam. Tomei um copo de refrigerante com gelo. Suco é saudável demais. Voltei ao quarto acompanhado de um copo, e o coloquei ao alcance da minha mão direita, sobre um porta copos que comprei há muito tempo. Na televisão o mesmo de sempre. Coloquei um filme e o vi sem interrupção. O mesmo de sempre.

A tarde se arrastou e não me disse nada. O café em boa hora trouxe um conforto perdido antes, e o cheiro do incenso tomou o quarto. Senti minhas pernas doerem e me deitei. A batida da música deu ritmo ao meu coração. Ele pulsava perto da minha boca enquanto fechei os olhos. Uma necessidade veio e me fez largar o sonho no meio.

Os números me traíram, junto com a memória. Tocou uma vez e eu me acovardei. Na segunda eu desliguei. Senti um frio tomar o meu corpo, senti medo e receio. Me tranquei num lugar dentro de mim, e deixei assumir alguém menor. Alguém que aprendeu a ser como eu não sou. Engoli o choro insistente ultimamente. Abri as janelas e deitei novamente. A música havia acabado no meio do refrão. Coloquei para tocar novamente, peguei do telefone e pensei. Pensei demais e vi que me perdi. Perdi algo dentro de mim, e eu não sei se alguém vai sentir falta e quiser procurar.

A influência da língua falada sobre a língua escrita

Posted Abril 8, 2009 by Leonardo
Categories: Fapa

A língua falada tem necessidade de se diferenciar da escrita para agilizar a comunicação, ou simplesmente facilitar a pronúncia de palavras, que ao ler podem parecer vindas de outro lugar.

Quem nunca foi convidado para um “churras” no “findi”, e alertado para trazer algumas “cevas”? Expressões como essas aparecem pelo simples fato de que falar “findi” é mais prático do que “final de semana”. Tais encurtamentos, de tão falados, acabam por fazer parte do conhecimento geral, e, talvez, podem acabar por tomar o lugar de expressões mais longas e complicadas, do mesmo jeito que “vosmecê” perdeu espaço para “você”, e a gigantesca “fico obrigado a retribuir-lhe este favor” virou “obrigado”, agora “brigado”, e quem sabe um dia “obri”.

Outra coisa que ocorre é a adição de fonemas para deixar a palavra mais melodiosa. Provavelmente hoje existam muitas fakições, faquições e faquiçãos, pois é quase impossível ver o encontro do “cç” e achar aquilo certo ou bonito.

Adaptações como estas irão ocorrer enquanto o ser humano tiver necessidade de transmitir uma mensagem ao próximo. Essa é a natureza, é esse o caminho normal das coisas, é o óbvio. Espero viver o suficiente para ler no jornal que, “no findi”, o preço da carne “pro churras” vai baixar.

“Muito bom!”

Protegido: A estrela;

Posted Abril 4, 2009 by Leonardo
Categories: amor platônico

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fita de cetim

Posted Março 31, 2009 by Leonardo
Categories: shortcuts to be with you.

Ela me olhou, depois de muito tempo sem uma palavra, e retirou de algum lugar uma fita de cetim rosa. Amarrou em meus dedos, retirei e amarrei então nos dela. Ela amarrou a fita no botão da minha camisa, sorrindo.

A mãe chamou-a para ajudar em algo, e ela saiu ainda sorridente. Retirei a fita e, sem motivo, coloquei no bolso, esquecendo-me daquilo nos dias seguintes. Fez sol, chuva, e quando em casa estava, vi a ponta da fita pendurada para fora do bolso, como se ali estivesse cansada de ficar, pois sabia que merecia mais. Repousou então, a fita de cetim, presa à parede, fazendo questão de, sempre que eu passava, dar um grito pra me chamar. Sempre funcionava, e ela revivia na minha memória o sorriso de criança que ficou guardado, impresso, junto com tantas outras coisas que não são apagadas ou devolvidas.

Ficou então insuportável enquanto mais uma tormenta pairou nos céus antes já acinzentados. Foi para junto das memórias que por momentos se deseja esquecer, mas que são fortes, que não cessam, e foi abandonada junto a tantas outras coisas. Rabiscos, tanta coisa, tanto lixo para quem não sente o que aquilo foi, pedaços de papel jogados numa caixa e postos à mercê da saudade. Mesmo assim, aquele sorriso ecoava, e chamava minha dor pra mais perto.

Ontem abri a caixa e coloquei tantas outras coisas ali. Pensei no que ela havia pensado, imaginei as mesmas coisas, as dores que seriam talvez desnecessárias. Guardei a caixa junto ao peito, e, tirando a fita rosa de cetim, senti um abraço do tipo que te faz quase chorar, que te faz quase perder a cabeça, que te faz acreditar no inacreditável, que te faz levantar a cabeça e suspirar fundo, e não quis aquilo longe. Atei a fita em meu pulso, e guardei a caixa no mesmo momento em que guardei as memórias, assentindo que amor é amor, e ele não acaba, só se cansa de ficar sozinho.

As minhas coisas ela quis entregar. Cartas, desenhos, saudades. Uma camisa que tanto eu gostava, mas não há sentido. Eu não preciso de memórias minhas. Foi bom demais pra se querer apagar, pra se querer jogar fora aquela caixinha que todos temos guardadas em algum lugar, onde guardamos os sorrisos que nos fazem sorrir.

Ganhadores de ninguém

Posted Março 22, 2009 by Leonardo
Categories: nota mental, sem sentido

Entrou e entregou as chaves para a mesa, que o recebia após mais um dia de trabalho duro. Fazia calor, e ainda por cima chovia, o que deixou tanto sua camisa quanto a camiseta que usava por baixo úmidas. Largou as sacolas com o jantar sobre a mesa, e, dando uma boa olhada na sala, tirou a as vestes encharcadas.

Estava no fim do último minuto de jogo, o time de verde perdia por dois pontos. A bola fora lançada, ele pegou na ala esquerda e avançou em passos largos, cinco, quatro, três, e seu coração ameaçou saltar, ouviu os companheiros, mas não conseguiu discernir nada daquela mistura de sons, então do seu lado ouve o treinador gritar algo, então jogou. A bola viaja, dois segundos, um, cesta, três pontos, e a quadra vai a baixo.

Olhou para o cesto de roupas, precisava lavá-las, mas hoje não, muito menos amanhã. Quem sabe no sábado?