Mulheres e homens de brinquedo

Posted janeiro 6, 2010 by Leonardo Wroblewski
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As reclamações, tanto de homens quanto de mulheres sobre como são tratados como objetos pela pessoa amada, ou não, do sexo oposto, ou não, são uma grande rodovia de mão única que dá a volta ao mundo e encontra consigo mesma logo na frente.

Mulheres que vivem reclamando por pensarem ser tratadas como um objeto, geralmente sexual, pelo parceiro, normalmente não notam o seu próprio comportamento que pode não dar o pontapé inicial, mas certamente ajuda a acelerar esse processo muito desagradável do amor.

Eu conheço, você conhece, sua avó conhece, e provavelmente acharemos em cada canto do mundo, a não ser, talvez, em conventos, mulheres que se importam mais com o tamanho do carro e o volume de massa da carteira do que o tamanho do amiguinho do amigo e o volume de sua alma poética e de seu intelecto. É um carro que pode levar pra sair, é um cartão que cobre o preço daquele casaco que você, amiga, tanto quer, é nunca mais ter que pegar ônibus para ir ao cinema. As vantagens são muitas, temos que concordar, mas quando você opta por esse caminho, torna suas futuras reclamações sobre ser tratada como um objeto nulas.

Um homem que consegue uma mulher com seu carro e o sex appeal de sua carteira recheada obviamente tratará a mulher como ela merece: a tratará como uma puta. Putas são aquelas ex-donzelas que você pega com seu carro, usa sua carteira para pagar, e as torna menos donzelas ainda. Mulheres que dependem do seu carro e da sua carteira para amar, por regra, são putas.

A mesma regra vale para os homens, mas nós, não sei se podemos nos orgulhar disso, pensamos nas mulheres por seus atributos físicos, não nos talentos, diplomas ou essas coisas praticamente supérfluas (não para mim, gatas), e acabam por morrer pelo tico, pois a vingança vem do mesmo jeito.

Quando uma mulher consegue um homem graças ao seu corpo, ela se vê no direito de pensar naquele homem como um boneco inflável. Um boneco inflável não tem sentimentos, e veja só, alguns homens têm sentimentos. Não que o homem não goste, a principio, de sair com uma gostosa, mas a longo prazo, um relacionamento acaba minado, no mesmo caso anterior das mulheres versus carteira.

Um relacionamento sério não pode ser trabalhado em cima de notas de dinheiro e carros, e muito menos em cima de paus, bundas e peitos. Talvez esse seja o motivo do grande buraco que vemos hoje em dia nos relacionamentos sérios, enquanto os relacionamentos supérfluos de um mês de duração estão tão na moda. Os jovens querem sair, curtir, usar seus carros e suas carteiras para conseguir garotas, ou usar o decote e a minissaia pra atrair o maior número de garotos. Esse talvez seja o grande divisor de água entre tudo isso.

Homens que procuram mulheres fáceis que caiam por seus bens, ou muitas vezes os bens dos seus pais, acabam achando mulheres que preferem usar os seus dotes físicos, ou muitas vezes comprados. Idiotas atraem idiotas, e um relacionamento vazio é formado. Essa talvez seja a chave do sucesso para um relacionamento onde ninguém se magoe, a não ser a conta bancária do maridão quando ele virar ex.

Fica o recado então, sigam o caminho da luz, não amem os outros da boca pra fora, não amem os outros pelo que eles carregam, e sim pelo que eles são. Amor de verdade da pessoa certa ta difícil de achar, imagina então se você fica perdendo tempo com as pessoas erradas.

Mãos.

Posted janeiro 1, 2010 by Leonardo Wroblewski
Categories: shortcuts to be with you.

Eu não posso mais ter um tempo sozinho com minha cabeça. Eu não vou meter uma faca no peito, muito menos me jogar em baixo de um carro, mas sempre fica a intenção. Essa é a vida que eu venho levando. Meu antidepressivo emprestado, os fones de ouvido, a dor na coluna, a boca seca. O coração fraco, o café frio, as minhas mãos vazias, sozinhas, mal cuidadas.

Esse foi o caminho que ninguém escolheu, mas o caminho que se abriu nas escolhas e desistências do nosso dia a dia. Na vez em que eu não te peguei pelos braços e não te chacoalhei, na vez em que tu preferiu fazer outra coisa ao invés de me ligar. Essas perguntas e os resultados que ficaram não têm gabarito. Elas geram outras perguntas, com outros resultados, e assim construímos a nossa vida.

Não vou te culpar, mesmo pensando que deveria. Pela primeira vez dei a última chance, e esse acerto virou erro pra mim, porque quem é o Leonardo além do cara que sempre dá a última chance, como alguém que sempre oferece a outra face, então a outra, então a outra? Talvez fizesse isso porque sempre quis isso. Alguém que desse um sorriso quando visse um erro, uma mão aberta ao invés de um rosto fechado, mas é a nossa diferença que nunca soube respeitar.

Existem muitas mágoas que nunca vão se afogar. A falta de carinho, a falta de interesse, e essa falta de demonstração do amor. Já duvidei demais desse amor, pensei que era vago, tranqüilo demais, talvez passageiro, talvez superável. Errei sim, era e sempre foi amor, mas acertei também, porque aos poucos ele vai sendo deixado, abandonado como algo que não nos faz mais falta, e isso eu não consigo perdoar.

É uma boa sorte que tu tenha achado alguém, mas é uma pena tu ter deixado eu descobrir sozinho. Doeu, como eu sei que doeu quando eu disse que tinha saído com outra, mas poderia ter doído mais se eu lhe desse um sorriso ao invés de falar, se eu tivesse te beijado ao invés de dizer a verdade, porque tem coisas que doem mais, ferimentos que provocamos mais profundamente quando simplesmente não fazemos nada.

É uma luta perdida, porque eu sempre vou ser eu, o obsoleto, o fraco, e existem muitas pessoas mais bonitas e interessantes, muitas geniais, como tu mesmo me disse, andando por aí. Entretanto, mesmo desejando do fundo do meu pedaço de coração que as coisas corram bem pra ti igual tu planejava enquanto estava comigo, eu desejo que tu um dia lembre que essas pessoas não sou eu. Que essas pessoas nunca te deram nada tão sincero quanto foram os meus abraços. Essas pessoas lindas são apenas pessoas, que vivem por um tempo e então morrem. Pessoas que não sabem como viver pra sempre, como um dia aprendemos a viver juntos.

É duro, eu sei, e não é uma música. Não é um filme e não é uma história. É só a vida, que é difícil pra mim, é difícil pra ti. Essa é o grande acontecimento da minha existência. É o dia, a semana, talvez o ano em que perdi a única coisa que eu tinha preservada em mim.

Assim devemos seguir caminhando. Eu vou continuar tocando a bola pro lado, esperando o tempo passar. Cortando caminho pelos atalhos, suspirando sozinho. Minhas mãos vão ficar velhas e frias, meus olhos vão perder a cor, e quem sabe um dia isso valha a pena. Quem sabe um dia tu não se realize, se forme, vença na vida, agrade todos que tu sempre quis agradar. Se esse dia chegar e eu não estiver lá, as minhas mãos cansadas vão aplaudir, e meus olhos vão voltar a brilhar. Meu sorriso vai voltar a sorrir o teu, torto, lindo, brilhante, em que eu desejei estar noites após noites, mas não consegui.

Que esse cara novo, talvez um Leonardo, consiga caminhar no teu ritmo e ria sempre apenas por estar do teu lado. Que ele sempre te dê uma nova chance, e que tu sempre dê a ele demonstrações de amor, para que ele não seja mais um tolo que, por duvidar, acabou consigo.

Eu sempre vou te odiar e eu sempre vou te amar. Desejo toda a sorte do mundo, desejo uma trilha sonora nova. Desejo que um dia eu te esqueça, da mesma maneira que tu ta fazendo, e um dia vai conseguir enfim.

whatever

Posted novembro 25, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: amor platônico, shortcuts to be with you.

O suor desceu pela minha cabeça raspada. Caiu pra sobrancelha e pingou no chão. O som ecoou pela minha cabeça, como se caísse em um copo, e as ondas varreram o barulho ao meu redor. Aquele som se manteve, cada vez mais profundo, enquanto meus olhos fixavam-se no movimento das pessoas, apenas no movimento. Meus olhos não tinham donos, não miravam, apenas olhavam o vazio ficar cheio, e então vazio novamente.
Uma mão repousou em meu ombro, e aquilo tudo foi fechado dentro de uma mala. Como se pego em flagra, o susto tomou conta de mim. O coração acelerou por um segundo, e voltou ao normal quando me recompus para responder a mão.
– Tudo bem, cara? – Uma voz tranqüila perguntou.
– Tudo bem, tudo bem. – A maior mentira que eu já havia contado na minha vida. Sorri falso, amarelado, e notaram isso. Fui deixado sozinho, ganhando dois tapinhas no ombro. Existem pessoas insensíveis que tentam ser sensíveis, e existem pessoas sensíveis, que sabem quando ser insensíveis. Prefiro essas.
Voltei a perceber a realidade ao meu redor. Sequei o suor da testa com as costas da mão. Minhas mãos estavam sujas, e tremiam, como um drogado tomado pela fissura. Fissura de que? Qual era a droga que eu precisava para fazer aquilo parar? A resposta era óbvia, a pena é que eu não quis aceitar.
Sequei a mão na bermuda, estavam realmente sujas mesmo. Respirei, pensei em nada, então respirei e pensei novamente. Dois atos inúteis, a pena é que apenas eles me mantinham vivo. Olhei para os lados, procurando qualquer coisa. Meus braços doíam, meus ombros doíam, e minhas costas, para acompanhar os amigos, doíam também. Essa dor física é o que me fazia dormir à noite, por isso era tão grato. Voltei à série. O barulho dos pesos, o barulho do meu coração. Barulho demais. A exaustão traz prazer, pelo menos a física. As outras eu não sabia há muito tempo.
No momento de desespero que vem a salvação. Poderia não ser tudo isso, mas o desenganado acredita que qualquer luz é um trem vindo lhe matar enquanto ele está amarrado nos trilhos. Foi mais ou menos isso. Aqueles olhos eram uma luz no fim do túnel, o problema é que não era eu quem estava indo para a luz, era ela que estava vindo para mim. Bem, não exatamente para mim.
Eu ainda não sei o nome dela, eu não sei nem se um dia vou saber. Não sei nada além do que os olhos dela me mostraram, que olhos verdes são realmente lindos. Ela é sem dúvida mais nova, sem dúvida muito nova. Nada vai sair disso, e é exatamente o que eu preciso, um trem vindo me matar, só que ele nunca chega. Talvez essa seja a história da minha vida, estar sempre prestes a morrer, mas me manter em vivo. Sempre ser atacado, mas me manter inteiro.
As mãos não pararam de tremer, então acho que estamos todos a salvo. Os olhos são apenas olhos, apenas lindos olhos, nada mais. Existem muitos lugares lindos, mas o nosso coração pode morar em apenas um. Acho que o verdadeiro lugar onde deveria estar está fechado para mim, e essa é a única dor que me incomoda de verdade, e a ela, não sou nem um pouco grato.

Obrigado mãe.

Posted setembro 22, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: sem sentido

Se existe um momento certo para fazer as coisas, é à noite. Silêncio quase absoluto, diferente do silêncio agitado da tarde e da manhã, temperatura agradável, sem nenhum tipo de interrupção, e, para os intervalos, filmes na televisão, não aqueles programas saturados e sem graça dos outros horários.

Gosto muito de não ser interrompido enquanto faço as coisas que preciso fazer, quando vou escrever, quando vou relaxar, e esse estado das coisas só ocorre na madrugada. Ninguém é questionado sobre o lugar do controle remoto as quatro da manhã, e o melhor de tudo, nenhuma empresa de telefonia, banco ou qualquer outro tipo de agência liga depois do horário comercial.

Não sei qual o problema dessa gente. Anteontem me ligaram, e posso dizer que foi a ligação mais estúpida que já recebi, pois haviam me ligado no dia seguinte, perguntando se a minha mãe encontrava-se em casa. Respondi que não, ela trabalha até as seis horas, então pedi que ligassem na hora. Para minha surpresa, a mesma agência liga no outro dia, duas horas da tarde:

-A senhora Helena Jacobus dos Santos encontra-se em casa somente a partir das sete.

Não foi uma pergunta, não fui eu quem ligou, e eles me deram uma informação sobre a minha própria mãe. O que dizer?

-Correto.

-Boa tarde, senhor.

Fiquei sem saber o que falar. Se haviam ligado no dia anterior, e eu havia respondido com a informação, por que me ligariam para repassar a informação?

Na verdade, acho que eles não acreditam em ti, e ficam ligando todos os dias em horários diferentes, para saber se você não está mentindo. Por que eles simplesmente não ligam na hora em que você disse que a pessoa estará em casa?

Enfim, a noite. Não gosto muito do silêncio. Qualquer um daqueles barulhos noturnos quebram toda a sua concentração. Um estralo, algo caindo, um cão latindo, tudo. Procuro deixar alguma música tocando, ou a televisão ligada em algum filme. É solitário ficar no escuro, com silêncio, melhor ligar a televisão e pensar que tem alguém ali, falando com você enquanto você faz suas coisas. Claro que isso te deixa mais insensível com as pessoas de verdade. Você passa a ignorá-las com mais freqüência, porque elas são só um filme, e você pode, se estiver incomodado, trocar de canal.

São duas e cinqüenta e dois da manhã de terça feira, e eu pude escrever este texto, comer um pedaço de chocolate e ver uma ou duas partes do filme sem ouvir alguém chamar meu nome sequer uma vez. Durante o dia, cinco minutos são um presente.

O maior problema em viver na noite é que seu organismo precisa do mesmo tempo para se recuperar, isto é, cerca de seis a oito horas. Se você dorme às quatro, vai acordar perto do meio dia. Culturalmente, é coisa de vagabundo, sujeito que não faz nada, traste. As pessoas são muito presas a suas rotinas e aos traços culturais. Acordar cedo, ir trabalhar, chegar cansado e ir dormir. Qualquer alteração de rotina, ou comparação com uma rotina diferente causa estranhamento.

Tem gente que come peixes crus, tem gente que não come carne, tem gente que acredita em Deus, tem gente que não, tem gente que joga futebol, tem gente que não gosta, tem mulher feia, tem mulher bonita, tem gremista, tem flamenguista, tem corintiano, e tem gente que gosta da noite. Viver em equilíbrio é aceitar as diferenças.

Claro, ninguém gosta de ateu corintiano que não come carne, mas esse tipo de gente não existe mesmo.

Salve pro Renato, meu amigo ateu, corintiano e vegetariano.

Então se seu filho ficou até as quatro no computador e dormiu até o meio dia, não julgue o jovem. Se sua filha ficou falando com o namorado na internet madrugada adentro, relaxe. Se seu marido chegou às sete da manhã em casa, não o mate. Somos notívagos, aceite as diferenças, e deixe o almoço no forno. Obrigado, mãe.

Diamantes e sapos

Posted setembro 7, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: sem sentido

Que as mulheres preferem os canalhas não é segredo. Aquele olhar conquistador, agressivo, que não leva em conta cor, credo ou relacionamentos faz as meninas derreterem e respirarem mais fundo, esquecendo a capacidade de raciocinar e pensar nos prós e contras, no próximo passo.

Os canalhas, que nada tem a ver com isso, adicionam um sinal de mais e o nome da vítima nas suas contas, elevando assim o seu status de conquistador, barato ou caro, pois isso, para elas, quando se trata de um canalha, tanto faz.

Quando acontece o momento do segundo passo, aí sim as coisas complicam. As mulheres tem a idéia fixa de querer transformar coisas em outras. Um canalha não nasce canalha. Ele se transforma, e nunca mais volta a seu estado natural. Mulheres batem a cabeça na parede há tempos, insistindo que um homem assim pode ser um pai de família responsável, fiel e trabalhador, mas não, não é assim que as coisas funcionam.

Homens de todos os cantos do mundo, quando descobrem o prazer da carne, e o prazer de enganar uma mulher que, em um estado normal, é superior à ele, viciam nesses atos. Conhecer, conquistar e destruir, reconquistar e destruir, reconquistar e destruir, e então partir, sempre com uma vantagem, uma boa margem de segurança, pois se você se machuca, não fisicamente, não é canalha. Se você se machuca fisicamente, precisa treinar melhor as fugas rápidas.

A preferência pelos canalhas é tanta, que muitas vezes esquecem o que têm, ou o que encontram no caminho. Esse desperdício não é privilégio delas, os homens também o cometem, mas elas crescem com essa idéia na cabeça. A fábula da princesa que transforma o sapo em príncipe com um beijo. Bem, não é apenas com o beijo que elas tentam, e fracassam sempre. É quase como se deparar com duas pedras. Um diamante bruto, que precisa apenas de empenho, e um diamante já esculpido, reluzente. Elas esnobam o primeiro, e caem sobre o que brilha mais. O problema é que o diamante ao qual elas se prendem com unhas, dentes e lábios, não passa de uma zircônia qualquer.

Mulheres são seres incríveis. Lindas, sublimes, inteligentes, com um sentido a mais que nós, homens, fortes e fracas ao mesmo tempo, mas têm um defeito capital. Querem tanto transformar o sapo em príncipe, que quando se deparam com um príncipe, o transformam em sapo.

Cortez, what a killer.

Posted julho 26, 2009 by Leonardo Wroblewski
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Chaves apostas, última chance. Liga o carro, olha pelo espelho para ver se ninguém ficou para trás. Acelera rápido, é tarde, ninguém pra reclamar. O frio congela as mãos, mas mesmo assim, liga o rádio só para não precisar conversar consigo. Equilibra o cigarro na boca, e equilibra o carro na curva. Não há preferência, e isso que torna tudo mais fácil.
Vira para a esquerda, pra fora da ferrovia pela qual passa todo o dia, e encosta a cabeça para trás, aliviado por conseguir fugir dos seus próprios trilhos. Ignora os faróis, e ignora-se a si mesmo, sem prioridades fica tudo muito natural. Nada é preferido, nada preterido. Mesmas chances, mesmas quantidades, mesmos valores.
Por que virar para a esquerda? Por que virar para a direita? O caminho mais justo sempre é seguir reto até o fim da estrada. Isso pode não levar ao lugar desejado, mas nem sempre estar no lugar certo e na hora marcada é vantajoso.
Pisa fundo, passa a marcha. A pista é limpa, e quanto mais rápido ele vai, mais alto ele voa. É o céu, com as luzes das estrelas passando em alta velocidade, nada à frente a não ser a eternidade, nada atrás a não ser o tempo perdido.
Seu motor apaga, mas o do carro continua. A eternidade termina onde te obrigam a escolher entre um lado e outro. Os problemas não estão mais ali, e sim espalhados pelo pára-brisas.

Conota, denota.

Posted julho 26, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: Uncategorized

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Certa vez ouvi que dores no coração nunca são normais, no sentido denotativo, é claro. Sou uma mistura perigosa de pessoa passível a sofrer dos males do músculo cardíaco, e de uma pessoa que não gosta de descansar esse músculo depois dos grandes jogos.
Culpado sou eu que não descanso por medo de vê-lo enferrujar, ou quem insiste em marcar mais jogos do que eu posso agüentar?
Enfim, músculos cansam, e certa hora eles param de funcionar. Pensem bastante nisso, porque os que jogam com o coração, hoje em dia, são raros. Minha validade é mais curta que a dos outros, e isso sequer é minha culpa.
Engraçado vai ser, depois de tudo, ouvir que fulano tinha “um bom coração”. Se fosse bom, não quebrava tão rápido, e não me refiro aos brinquedos, não aqueles de plástico, porque é brinquedo sim, mesmo que com ele não se brinque.

Mr Postman

Posted julho 18, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: cardíaco

Saí, como de costume, vestido para voltar logo. Tênis maltratados, moletom, camiseta de pijama, barba grande, ou melhor, um carpete ralo em volta do pescoço, e, enfim, minhas bermudas de guerra. Mal posso contar as marcas que ela tem, mas algumas, como as de verniz e tinta, carregam histórias engraçadas, e umas nem tanto.
Estiquei a caminhada, e cheguei rápido na loja de música. Procurei as minhas cordas favoritas, as de aço, para violão folk. Estavam lá, quase dez reais mais baratas. Comprei sem pensar. Vi as guitarras, namorei as vitrines, flertei com os preços, e me apeteceu a idéia de comprar uma. Guardei na memória as marcas e seus respectivos valores, e coloquei um post it mental “Falar com o meu pai”. Ele sempre deu força para que eu fosse um músico, mesmo sabendo que eu não queria ser. Quando falei em fazer faculdade ele estranhou, pois esse é um caminho normal demais para a família.
Liguei para a minha mãe, avisando que estava na rua. Ela havia ido à uma festa de parentes, parentes legais, mas nem me passou pela cabeça ir lá. Adoraria evitar aglomerações de pessoas, mas quando ela pediu com carinho, perguntando se eu poderia ir ao banco com ela, não pude resistir. Fui ao encontro dela. Ana, a prima em algum grau, me fez tomar um quentão. Fui cobaia. Quando ela perguntou “ponho mais açúcar?”, notei que definitivamente, ser cobaia não era agradável. O quentão não tinha nada de açúcar, e o vinho era de qualidade duvidosa. Quando o bafo do quentão entrou pelas minhas vias de respiração, fiquei tonto e disfarcei, concordando que precisava mesmo de um pouco mais de açúcar. Ela colocou, e pediu para que eu provasse novamente. Lá eu fui.
Quando saímos em direção ao banco, eu, bêbado, acabei concordando em passar na Jomar, uma loja de roupas daqui. Minha mãe sempre falava que tinha um casaco listrado lindo, que eu tinha que ver e ia adorar, e ela adoraria me dar, porque eu estava passando frio quando saía para a Faculdade e todas essas conversas de mãe. Fui coagido. Entrei e vi o casaco. Realmente era quente, mas por trezentos reais não dava. Ele tinha um capuz com pelinhos, uma coisa meio diva do soul, e isso fez os trezentos reais parecerem muito mais do que eram. Acabei batendo o olho em um casaco verde, que parecia o que o Liam Gallagher usou nos shows, a não ser pela tonalidade do verde, e porque não era longo, como a parka do Liam. Aceitei ganhá-lo, e minha mãe ficou tremendamente feliz. Fez em quatro vezes de quarenta e poucos reais, e ainda tentou me empurrar umas calças. Não gosto de calças claras, e pagar cem reais numa jeans é um absurdo.
Na ida até o banco, encontramos a Lita. A Lita é minha prima em algum grau, e estava indo para a festa. Quando eu estava na pré-escola, ela era minha professora. Todas as crianças chamavam a Lita de tia, mas eu podia chamar de prima, e achava isso demais na época. Ela me viu crescer, e sempre me atordoou com a “metralhadora de beijos”. Ela me agarrava e ficava me enchendo de beijos quando eu era pequeno. Agora eu acho engraçado, mas na época era uma tortura, porque sempre que me via, ela corria atrás de mim e me enchia de beijos. Ela parou quando eu tinha uns treze anos, mas mesmo assim, ainda hoje, quando me vê, ela vem correndo e me abraça, jogando elogios e rasgando seda, dizendo o como eu sou lindo, e como o meu cabelo ta lindo, e como eu cresci, e como a minha namorada tem sorte. Essa última parte vem acompanhada com um soquinho no ombro e uma piscadela.
Antes de chegar ao banco, vale ainda a pena mencionar, encontrei o Jeferson, um ex colega. Ele é um homenzarrão agora. Deve ter mais de 1,85m, muito mais do que no tempo em que estudávamos. É um prazer rever os colegas, ainda mais ele, que nunca negou ajuda, mesmo sendo um pouco desastrado com tudo. Olha quem fala. Chegamos ao banco, o HSBC, e as máquinas enrolaram para dar os setecentos reais. Minha mãe pegou, me deu dez e disse para eu comprar uma coca cola. Voltei pra casa, de olho em cada ônibus que passava, e acabei o dia aconchegado na poltrona.

Agora pouco veio meu primo pedir um controle de videogame emprestado. Emprestei, coisa que eu não faria normalmente. Estranho. Agora tenho que colocar as jóias novas da Lauren. Estou devendo três pares de tarraxas novas, porque essas não estão segurando a afinação. Acidente de trabalho.

Os escritores em Londres e os quase.

Posted julho 11, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: Fapa, nota mental

O banco faz uma curva como se quisesse servir de platéia para aqueles que saem da porta principal do prédio, e tomam o caminho para a saída da faculdade. A luz amarela deixa no ar um resquício das noites de londrinas do século passado. Aquelas que são imaginadas para servirem de cenário das aventuras de Sherlock Holmes, ou para ambientar a caçada ao Drácula pela Inglaterra, que entusiasma os leitores do livro de Bram Stoker.

As árvores mal se movem, pois o vento mal chega ali por causa do prédio. Isso deixa clara a visão de quem está ali em baixo para o terceiro andar, para as luzes das salas, e os rostos que ficam ali, dividindo sua atenção entre a aula e a movimentação das pessoas na rua.

O tempo vai passando, e cada vez menos pessoas passam. Sempre ficam alguns ali, como se estivessem em protesto, tanto os que gostam do clima do lugar, quanto os que simplesmente não tem vontade alguma de subir as escadas e entrar nas salas quentes e úmidas.

Alguns fumam, e a fumaça se espalha pelo ar, dissipando-se e sumindo na frente de todos com a leve brisa que lhe acomete. Alguns comem em um ritual sagrado de gula, que apetece até os que passam com um destino já traçado, e esses, enfim, rendem-se e vão atender aos seus próprios desejos, transformando tudo em um grande círculo vicioso de felicidade momentânea.

Alguns escrevem em seus diários vespertinos, com suas canetas ponta-fina, e fones de ouvido para não permitirem-se escutar a conversa alheia, os urros de felicidade e os suspiros de tristeza. É melhor assim. Algumas idéias são valiosas demais, e caem nas cabeças mais despreocupadas e descuidadas. É melhor tornar-se surdo e mudo e cego quando se escreve, para que a idéia, tanto a boa, a não tão boa ou apenas uma idéia, não escape e misture-se com as idéias dos outros, e voe livre, até pousar no ombro de outro alguém.

Alguns escrevem apenas para saciar a gula de fazer os outros pensarem de um jeito, ver os outros verem de um ponto de vista engraçado, de um ponto de vista cansado, de um ponto de vista apaixonado. É ver a idéia virar fumaça, e sair da sua boca como a do cigarro, e sumir na folha de papel, ganhando lá um lugar para descansar. Lugar do qual dificilmente vai sair, pois esse é o ritual sagrado do escritor que mal escreve. Pena que esse ritual não chama a atenção de ninguém, nem dos que vão, nem os que vêm.

Pobres escritores, eles estão fora de moda, e têm somente seus velhos vícios e hábitos que lhes são necessários, que lhes fazem felizes.

Minissaia

Posted junho 24, 2009 by Leonardo Wroblewski
Categories: nota mental

Sete horas da manhã, de segunda à sexta, o despertador te acorda com a sutilidade de um tapa no pé do ouvido. A cama é tão atraente, como uma daquelas menininhas do tempo de escola. Loucas para descobrir as utilidades do que possuem entre as coxas, procuravam nos garotos mais velhos o que os de sua idade, tu inclusive, se esforçavam ao máximo para fingir ter. Tu resistes, tu queres ficar na cama, entre os cachos da loirinha que sentava no fundo da sala, mas a tua orelha ainda arde por causa do tapa, e a menina desliza para longe de ti na cama, na imensidão dos lençóis, e some sob o teu braço.

A desgraça da vida é não ter o que quer. A loirinha que tu sempre quis desde os catorze anos de idade não esta na tua cama, e, se estivesse, provavelmente não teria mais catorze, e seria talvez gorda demais, talvez magra demais, mas o mais importante, não teria mais catorze anos.

Acorda, trabalha, dorme. Essa é a rotina do povo. Ignorante é aquele que não dá atenção pro que se faz enquanto se faz isso. Quem acorda, acorda numa cama e acorda com alguém (se não acorda com alguém, acorda chamando sua mão por um nome familiar). A vida é feita de detalhes, a diferença de pessoa para pessoa é obtida nos detalhes, e a graça da vida existe nos detalhes do detalhes dos detalhes.

Sete e meia e o ônibus chega carregando cinqüenta pessoas como tu. Uns mais bonitos, uns mais feios, mas todos acordaram, todos foram ao banheiro, e todos têm seus segredos. No ônibus sempre tem aquela guria mais encorpada, que faz teus olhos adorarem poder enxergar. Aquela boca que ainda deve ter gosto de pasta de dente fica entreaberta. Os óculos escuros, mesmo o dia estando nublado, te impossibilitam de ver se ela está olhando pra ti. Esse é o risco. Se tu olhas, ela pode ver, e se tu não olhas, perde a chance e o decote. Tu olhas, e é o paraíso. Aqueles seios fartos, aquele pescoço nu, e o cabelo, ai o cabelo! Ele cai pelo colo, pedindo que teus dedos os façam ir para trás da orelha, deixando aquele pedaço de céu nu, para que a tua boca sinta cada centímetro daquela pele bronzeada. Ela vira a cabeça pra ti. Faz uma cara de quem foi comida e não gosto, e, num movimento bruto, põe a mochila na frente do decote e olha pra janela. Acabou a brincadeira.

O homem não sofre remorso por olhar. O homem não sente remorso por desejar, afinal, ninguém pode saber que ele deseja se não for ele mesmo, a não ser que o pinta sofra do maior grau de azar existente e fale durante o sono tudo o que ele não quer falar enquanto está acordado. O homem olha e deseja um belo par de coxas, assim como a mulher olha e deseja um belo par de coxas. Ambos são iguais, a diferença é que o homem assume, e a mulher mente que acha um belo par de personalidade muito mais atraente.

Desejar não é problema, desde que se deseje mais o que ta em casa. Por isso, antes de querer jogar bola na grama do vizinho, rega e apara a tua. Isso vale pras mulheres. Antes de ficar babando as vitrines, querendo comprar sapatos novos, usa os que tu tem em casa. Se tu usares o teu velho par, ele pega a forma do teu pé, como o homem que conhece teu corpo, o homem que te é confortável, que não tem problema em ser pisado (pisem que nós gostamos!), que não te machuca, que te deixa tranqüila e segura. Agora, mais amargo que um sapato deixado na sapateira é o homem que não é desejado pela patroa. Ele não quer mais servir, ele machuca. O homem é mais sentimental que a mulher, só que ele guarda para si porque sabe que a mulher não consegue lidar com discussões como eles. Mulheres não sabem que o melhor movimento é ligar o automático, pra chegar ao sexo de reconciliação o mais rápido possível.

A viagem de ônibus termina, e, no tempo suficiente para ir até Foz do Iguaçu, tu descobres que mal saiu da zona norte. No escritório, quem te espera é a patroa velha, com trinta anos de casado, que ainda não conseguiu aceitar que um homem é um homem, não um cocker. O homem não aprende a mijar no jornal, e isso se aplica em todos os sentidos que alguém que já teve um cachorro e um homem pode imaginar. A patroa velha enche teu saco pra trocar uma lâmpada, pra arrumar a calha, e ainda fica braba se tu olhar pra filha da amiga que se descobriu de minissaia. Assim é o chefe, igual tua patroa, com um bigode na cara e mais pêlos que tu. Ele bufa no teu cangote, achando que agrada, mas os calafrios são de medo, não de excitação.

Quando o dia passa, a ansiedade de chegar a casa torna-se insuportável. Quando o momento chega, e tu joga teu casaco em cima da cadeira, a imagem da morena que foi na tua sala abrir uma conta hoje se forma. Ela te olha, apertando os lábios pequenos, desabotoando a blusa, e deixando o decote à mostra. Aquele gosto vem na tua boca, aquecendo teu corpo como um bom gole de whisky. É o beijo dela, e as unhas arranham tuas costas. Tu se deita, e as pernas dela surgem entre os lençóis, entrelaçando-se nas tuas. A vida faz sentido, pelo menos ali naquela hora.